Bienal nas Escolas, no Rio, acontece pela primeira vez em um ano sem edição da Bienal do Livro

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Publicado em 14/04/2026 - 08:49  |  Atualizado em 14/04/2026 - 08:51
Crédito: Alan Costa

Projeto retoma, já em 2026, agenda de encontros de autores com alunos da rede carioca, sob o tema “Livros mudam o jogo”, inspirado na Copa
Pela primeira vez, o projeto Bienal nas Escolas, no Rio de Janeiro, ganha uma temporada independente — um ano antes do calendário tradicional da Bienal do Livro, cuja próxima edição na cidade está prevista para 2027. O maior festival de literatura, cultura e entretenimento do país se antecipou para levar o projeto a escolas cariocas já em 2026. A agenda de visitas, com distribuição de livros e álbuns de figurinhas, vai beneficiar cerca de mil alunos de 6 a 10 anos. A iniciativa estimula a aproximação de autores, estudantes e histórias, reforçando a vocação de formar leitores e levar o universo literário diretamente aos alunos da rede pública.

“Os livros promovem o poder de abrir horizontes, levar a lugares, conhecer pessoas e ampliar possibilidades. O projeto Bienal nas Escolas vem ao encontro do compromisso da nossa rede carioca de ensino de inspirar sonhos, imaginação e realização por meio da leitura. Enfim, oferecer todas as condições para a formação e a transformação de nossas crianças e de nossos jovens — que queremos ver no futuro preparados para ler o mundo com autonomia e senso crítico, exercer a cidadania no dia a dia e, acima de tudo, reconhecer o próprio papel na construção e na transformação da cidade e do país”, afirma o secretário municipal de Educação, Hugo Nepomuceno.

O projeto Bienal nas Escolas nasceu em 2019 justamente para extrapolar os pavilhões e as exposições do Riocentro e seguir transformando a vida de milhares de crianças e adolescentes de forma permanente. Além do encontro com autores, mediadores desenvolvem dinâmicas que incentivam a escuta, a imaginação e a construção de repertório literário de forma leve e interativa.

Este ano, o conceito do evento é inspirado na Copa do Mundo. O tema “Livros mudam o jogo” propõe uma aproximação simbólica entre futebol e literatura, em que autores são tratados como “artilheiros” e cada leitura representa uma jogada capaz de transformar trajetórias. A proposta reforça a ideia de que o livro pode ocupar um espaço de protagonismo no cotidiano dos estudantes, aproximando o universo literário de uma linguagem familiar e acessível.

Como parte dessa experiência, cada aluno participante receberá um álbum de figurinhas, outro clássico em ano de Copa, desenvolvido especialmente para o projeto. Nele, personagens clássicos da literatura mundial compõem uma Seleção Literária destacando Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan, entre outros. As crianças vão poder trocar figurinhas e completar o álbum, criando uma relação lúdica com as histórias e ampliando o conhecimento de referências literárias.

“A brincadeira com o futebol ajuda a traduzir a ideia de pertencimento. Quando os personagens entram em campo, a leitura deixa de ser algo distante e passa a fazer parte do imaginário das crianças de forma natural e divertida”, explica a curadora do projeto Bienal nas Escolas, a jornalista e pedagoga Carol Sanches.

Os encontros com autores são um dos pilares da iniciativa, promovendo momentos de troca direta com os estudantes. Nessas ocasiões, as histórias ganham voz, contexto e novas interpretações, enquanto os alunos são incentivados a interagir, fazer perguntas e compartilhar suas próprias percepções.

A primeira parada foi na sexta-feira (10/04), na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Osvaldo Cruz, na Zona Norte. E a convidada foi a escritora Kiusam de Oliveira. Referência em literatura afrodidática, a autora reforça a importância da representatividade, da educação e do incentivo ao imaginário desde a infância:

“Foi um encontro muito potente, especialmente porque reconheço as histórias e as vivências desses estudantes. Eu sou uma mulher preta, professora há mais de 40 anos, e trago essa trajetória para dentro da minha escrita. Para mim, tudo começa com a leitura do mundo, antes mesmo da leitura das palavras. É isso que me move como educadora e como escritora. Quando a criança se vê, quando ela se reconhece, ela entende que pode sonhar, que pode transformar a própria realidade. E é esse o meu compromisso: escrever para que essas crianças aprendam a sonhar e se reconheçam como potentes”.

Para a diretora da escola, Aline de Abreu Cardoso Lopes, a iniciativa chega para potencializar um trabalho que já faz parte da rotina dos alunos:

“É de suma importância, porque nós sempre trabalhamos projetos de literatura. Temos piquenique literário, produções de livros, corredor da leitura, estantes em todas as salas. Então, trazer a Bienal para a escola é uma outra forma deles verem o livro, de um jeito lúdico, como foi hoje. Foi um prazer imenso participar. Eles ficam ansiosos, pesquisam sobre a autora, pedem novos livros e buscam ainda mais leitura.”

A experiência também impacta diretamente os estudantes, como conta a aluna Lara Braga, de 10 anos:

“A escritora contou partes de seus livros e ensinou histórias. Tem dois livros dela que eu gosto muito, “Com qual penteado eu vou” e “Tayó em quadrinhos”. Eu gosto porque eles falam de coisas importantes, como o respeito com o cabelo e com a cor da pele. Ler faz a gente sair um pouco das telas e ir para outros lugares. Acho que ajuda na imaginação e faz a gente aprender mais para o futuro”, afirma a menina.

 

Projeto faz aumentar em 25% a busca por livros nas escolas

 

Mais do que uma ação pontual, o Bienal nas Escolas se consolida como um movimento contínuo de incentivo à leitura. Em 2025, a iniciativa percorreu 11 escolas das redes municipal e estadual, reunindo mais de 2 mil alunos e registrando um aumento de 25% na busca por livros em bibliotecas das unidades participantes, um indicativo concreto do impacto gerado pelo contato direto com autores e experiências literárias dentro do ambiente escolar.

“Quando a literatura entra na escola de forma viva e lúdica, ela cria vínculos duradouros. O aumento na procura por livros nas bibliotecas mostra que esse encontro desperta curiosidade e amplia o desejo de ler, o que é essencial para a formação de novos leitores”, destaca Bruno Henrique, diretor de Marketing e Conteúdo da GL events Exhibitions.

 

Iniciativa democratiza o acesso à leitura

 

Entre os autores que participaram da edição de 2025, nomes como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França estiveram presentes em escolas da capital e da Baixada Fluminense, contribuindo para uma programação marcada pela diversidade de estilos e linguagens. Por onde passa, o projeto deixa um legado físico e simbólico em cada unidade participante. As caixas de livros entregues às escolas ampliam o acervo disponível para alunos e professores, enquanto os materiais desenvolvidos estimulam a continuidade das práticas de leitura ao longo do ano letivo.

Ao unir experiência, acesso e continuidade, o projeto reforça seu papel na formação de novos leitores, como destaca o presidente do SNEL, Dante Cid: “A leitura tem o poder de transformar trajetórias, e iniciativas como o Bienal nas Escolas mostram que, quando ampliamos o acesso e criamos conexão, o livro realmente entra em campo e muda o jogo na vida dos estudantes”.

Outro destaque é sua capacidade de alcançar estudantes que muitas vezes não têm acesso direto à Bienal durante o festival. Ao levar autores e experiências literárias para dentro das escolas, a iniciativa amplia o alcance do evento e reforça o compromisso de democratizar o acesso à cultura. “Levar a Bienal até onde os estudantes estão é uma forma de garantir que mais pessoas possam vivenciar o universo da leitura. Esse movimento fortalece a conexão entre educação e cultura e contribui para formar leitores desde a base”, afirma Bruno Henrique.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) é o órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro responsável por elaborar a política educacional do município do Rio de Janeiro, coordenar a sua implantação e avaliar os resultados, com o objetivo de assegurar a excelência na Educação Infantil e no Ensino Fundamental Público.

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